OVERWATCHEntenda a Liga de Overwatch Criada pela Blizzard

Oriques "Cooruja" Batistim 29 de dezembro de 2016

h3ll0 guys, Reload aqui. A Blizzard anunciou na Blizzcon 2016 a já esperada Overwatch League. Depois da aquisição da MLG (Major League Gaming), da Copa do Mundo de Overwatch e do sucesso da ELEAGUE de OW, o próximo passo natural seria a criação de uma liga própria. Nesse caso uma liga internacional com uma estrutura semelhante a dos esportes americanos mais famosos: NBA, NFL e MLB.

Antes de avançar, é interessante destacar que essa não é a primeira vez que um formato desse é proposto. Há alguns anos a CGS – Championship Gaming Series adotava formato parecido, com uma franquia brasileira inclusive. Cidades foram escolhidas e franquias atribuídas. O formato incluía vários jogos, como Counter-Strike: Source, Fifa 07, DoA 4 e PGR 3. A CGS durou dois anos mas seu formato excludente acabou prejudicando demais o cenário e o próprio evento se enfraqueceu com a falta de frequência.

Curiosidade: o COMBINE (que você vai entender mais abaixo) do início da CGS aconteceu na mansão da Playboy. v1d4 l0k4 hein.

Mas voltando ao que interessa, vamos tentar entender como funciona essa estrutura proposta baseado no que a Blizzard explicou e no que existe hoje em outros esportes que foram usados como referência

O QUE JÁ SABEMOS:

FRANQUIAS

Os times viram franquias: várias cidades do mundo serão escolhidas (seja por critérios sociais/econômicos, por serem voltadas à cultura de e-sport ou outros motivos estratégicos). Essas cidades terão um time principal que será gerido por um “dono” (sim, o dono é entre aspas mesmo, por que ele só licencia o uso da franquia, a dona do time mesmo é a Blizzard, se ela quiser tirar de um dono e vender pra outro ela pode). Alguns exemplos bem conhecidos: Chicago (cidade) Bulls (franquia) e Golden State (cidade) Warriors (franquia), ambos da NBA (Basquete). Se você reparar bem no vídeo explicativo, no Brasil primeiro aparece o ícone da arenazinha em São Paulo, depois em outros locais do país. Podemos ter um São Paulo Keep ou um São Paulo Dragons, quem sabe? Esse time é subsidiado pela Blizzard e gerido pelo dono – que em teoria é o responsável por investir e manter o time funcionando com alto nível de qualidade – o que no vídeo eles chamaram de “estabilidade”.

A LIGA

A NBA, por exemplo, é uma liga fechada, o que significa que esses times não podem jogar nenhum outro campeonato no mundo. São 30 franquias, espalhadas por todo os Estados Unidos (e um time do Canadá), separados em duas conferências que existem por causa das dimensões do país. Pelo que foi explicado no vídeo da Blizzard, as conferências serão grupos continentais/regionais:

  • Américas;
  • Europa;
  • Coréia do Sul;
  • China;
  • Ásia/Região do Pacífico.

Essas regiões terão diversas cidades escolhidas para receberem franquias (times). Essas franquias disputarão eventos regionais (continentais, no caso da Europa, Américas e Ásia/Região do Pacífico) e irão se credenciar para a disputa dos playoffs (o famoso mata-mata) globais, a serem realizados em algum local escolhido – provavelmente na própria Blizzcon. Ou seja, esses eventos regionais/continentais serão seletivas/qualificatórias e o pau quebra mesmo é em LAN, com os melhores times de cada região.

Acredito que essa liga tenha mais de uma divisão. Seria impossível manter a frequência dos jogos sem eventos secundários com vácuos entre temporadas de 3-4 meses como a NBA e os outros esportes americanos. Os times da NBA jogam 80 partidas por temporada ao longo de 6-7 meses. São 30 times em todos contra todos, gerando um volume enorme de partidas. Duvido que em cada continente/região tenham mais de 10 times. Como esses times ficarão jogando durante tantos meses?

DRAFT/COMBINE – ESCOLHA DOS JOGADORES

A Blizzard criará um mecanismo de validação que permitirá aos donos de franquia escolherem e montarem um time baseado em um grupo de jogadores previamente selecionados. Esses jogadores serão testados e destes, 6 serão escolhidos por cada franquia para compor sua line. O processo de draft da Overwatch League é o que chamamos de COMBINE. Esses jogadores serão testados e conteúdos serão gerados a partir deles (vídeos e artigos de história do jogador… e etc) para avaliação e acompanhamento das futuras estrelas. Durante esse período inicial e experimental as lines poderão ser alteradas, um jogador escolhido poderá ser substituído por outro do cardápio da combine. Ao fim desse período de testes os contratos serão assinados e é com esses jogadores que as franquias estarão elegíveis para participar da liga.

CONTRATOS E SALÁRIOS

Com o suposto subsídio da Blizzard, os jogadores passarão a ter contratos fixos, com um salário base estipulado e podendo variar pela capacidade do jogador. Honestamente eu acredito que de início todos os jogadores de uma determinada região terão o mesmo salário, sem variação pela fator “estrelismo”. Nesse conceito inicial, Messi e o zagueiro do Barcelona receberiam a mesma coisa, por mais estranho que pareça, acho que como modelo inicial pode ser o mais acertado, até porque em determinadas regiões não temos tantas estrelas assim.
A liga passa a ter direitos totais e possivelmente exclusivos da imagem dos jogadores. Assim, patrocínios pessoais não devem ser permitidos ou serão regulamentados direto pela Blizzard. E se o jogador o fizer, parte da grana vai pro bolso da Blizzard, mesmo que de fato ela nada participe da ação na qual o jogador esteja envolvido, porque ela é “dona” da marca “PLAYER X”.

O QUE EXISTE EM OUTRAS LIGAS MAS NÃO FOI CONFIRMADO:

TETO DE INVESTIMENTO

Nas ligas americanas há um teto de investimento. Não interessa quanto de dinheiro um dono possua, ele só pode investir um valor X. Isso tenta garantir que todos os times mantenham um mesmo nível, sem várias estrelas estarem numa mesma grande cidade – a menos que abram mão de boa parte do salário, o que já aconteceu algumas vezes. Se isso for de fato implementado, podemos ter lines interessantes. Vamos pegar o time da Rogue: TviQ, Reinforce, winz, aKm, uNKOE e Knoxxx. Vamos dizer que o teto de salário (salary cap) seja de US$ 30.000,00. Se o TviQ achar que deve receber US$ 10.000,00 por ser a estrela do time, a franquia só poderá pagar aos outros 5 jogadores o equivalente a US$ 20.000,00 (US$ 4.000,00 pra cada). Caso o aKm queira ganhar mais, ele precisará procurar outro time que tenha “espaço salarial” disponível para comportar seu salário. Dessa forma, as estrelas ficam distribuídas por várias equipes, mantendo em teoria o equilíbrio qualitativo do campeonato.

TROCA DE JOGADORES E FREE AGENCY

Os jogadores terão um tempo estabelecido de contrato durante o qual só poderão trocar de franquia/time em uma negociação direta entre as franquias. Esses contratos irão prever provavelmente em sua expiração (vamos dizer que os contratos sejam por duas temporadas) uma janela de tempo em que o jogador poderá negociar diretamente com outras franquias o seu “passe”, sem depender que a negociação seja entre as franquias. Basicamente ele fica sem contrato e pode negociar e assinar com quem quiser, pelo valor que quiser, seja com um novo time ou uma renovação com o antigo.

Essas são as principais características das ligas americanas. Como toda grande mudança, uma estrutura dessa causará um impacto no mercado de esportes eletrônicos. Alguns aspectos naturalmente serão extremamente positivos como a maior profissionalização, outros porém podem ser negativos e merecem ser destacados. Sem me estender muito mais.

CONCLUSÃO

ASPECTOS POSITIVOS

  • A liga passará a ser mainstream. Garantido estabilidade/continuidade dos investimentos teremos eventos de altíssimo nível;
  • Os grandes anunciantes com certeza terão maior interesse em investir no Overwatch e em esportes eletrônicos em geral, uma vez que buscam um modelo confiável de parceria/investimento;
  • A criação de um modelo estruturado de “jogador profissional”, com salário compatível, formato de trabalho/remuneração viáveis e gestão de imagem/coach pessoal.
  • Investimento da própria Blizzard em mercados estratégicos em constante crescimento (como o Brasil e a América Latina em geral, dentre outros).

ASPECTOS NEGATIVOS

Independente do tamanho da liga, haverá uma limitação ENORME na quantidade de times participantes. Vamos dizer que tenhamos 30 franquias, cada uma com 6 jogadores, somando um total de 180 jogadores profissionais devidamente remunerados e assessorados pela Blizzard. Agora vamos considerar que dos 20 milhões de jogadores ativos (no dia em que esse artigo foi escrito) 0,5% sejam possíveis jogadores com potencial semi-profissional ou profissional. Estamos falando de um universo de 100.000 jogadores, desses apenas 180 serão estrelas. Embora seja comum em outros esportes, é bastante restritivo, considerando a estrutura necessária para um jogo de futebol americano ser realizado e a estrutura de uma partida oficial de Overwatch.

A criação de uma Liga Blizzard de Overwatch pode fazer com que outras marcas poderosas de eventos/ligas acabem saindo do Overwatch, reduzindo drasticamente o número de eventos paralelos. Já aconteceu antes no Counter-Strike, quando a CGS criou franquias no mesmo modelo e as espalhou pelo mundo. Elas ficavam o ano todo sem jogador e se reuniam algumas vezes para um campeonato mundial. Inclusive o lendário time brasileiro MiBR – Made in Brazil participou como a franquia brasileira Rio Sinistro. Era um time de CS:Source e todos os jogadores eram impedidos de jogar outros campeonatos em troca de um bom salário fixo. Vocês acham que ELEAGUE, ESL, FaceIt e PGL investiriam em campeonatos com times de “segunda divisão”?

Falta de estímulo e aparecimento de novos times. Em teoria, se você não está na liga, você não é um profissional. Isso pode desanimar uma grande parcela da comunidade que espera por uma oportunidade de conquistar uma vaguinha em um evento aparecendo como zebra. Temos exemplos aí pra dar e vender: Black Dragons na Pré Season da LBOW, Loli+5 na Supernova e etc. Times que surgiram “do nada” e despontaram.

Pra dar um gostinho do que vem por aí, pensamos em algumas franquias que podem pintar. Olha como vem =)

  • Paris Rogue;
  • Los Angeles Cloud9;
  • New York NV;
  • Copenhagen Reunited;
  • Stockholm Fnatic;
  • Munich Misfits;
  • Seoul Lunatic-Hai;
  • Moscow Anox
  • London Dignitas;

Meus caros, é isso. Vamos ver o desenrolar dos próximos capítulos e ver como a Blizzard se posicionará de fato. Espero que tenha explicado da melhor forma possível =)

Faltou alguma informação relevante? Tem alguma sugestão ou algo pra complementar o raciocínio? Comenta aí =D

Cya!

COLABORADOR: Mark “Reload”

About Oriques "Cooruja" Batistim

Auto-intitulado especialista em cliques ensandecidos no mouse e expert em táticas inovadoras que ninguém nunca viu. Tenho a precisão de um vovô com parkison e a sagacidade estratégica de um urso faminto. Esse sou eu!